12 julho 2010

É um pouco ambíguo dizer onde começa e acaba um deserto; depende de onde vimos... depende para onde vamos. Mais certo é dizer que todos nós fazemos da nossa vida uma travessia num deserto; com miragens e oásis, caminhando sozinhos ou em caravana, roubando pequenos tesouros, como Alibabá e os 40 ladrões, e que guardamos valiosamente nas nossas arcas, por vezes com mais apoio montados num camelo, outras quem sabe num 4x4 ao melhor estilo do rally onde nenhuma duna nos impede de continuar, e outras ainda pé ante pé debaixo do calor abrasivo que quase transforma a passagem pelo deserto na nossa última morada. Para além de um dos mais inóspitos lugares da Terra, o deserto é ainda o lar de alguns dos mais perigosos animais, movidos pelo instinto, não pedem licença para matar, ainda assim, é ao lado destes que pernoitamos e são eles que nos recordam a vertente mais animalesca e primitiva que ainda nos resta. O instinto de sobrevivência.



'Não ter já nada para dizer e continuar a escrever é um crime, porque não tem o direito de continuar a escrever se não tem nada para dizer"
Saramago

1 comentário:

  1. um dos teus melhores textos, ainda que com uma pitada de despedida *

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